Interação fármaco-nutriente em áreas hospitalares de pediatria
Texto por Fernanda Aloisi
A interação fármaco-nutriente/alimento ocorre quando um medicamento e um alimento, ou componentes deles são administrados simultaneamente e interferem nos parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos. Alguns fármacos interferem na absorção de um nutriente, bem como podem alterar o seu uso pelo organismo e/ou sua excreção. Os fármacos também podem interferir nesse estado nutricional, aumentando ou diminuindo o apetite, afetando, dessa forma, a quantidade de alimentos/nutrientes consumidos (Bobroff et al., 2009).
No caso do artigo, o objetivo foi analisar a interação fármaco-nutriente/alimento na área de pediatria. Foi realizado o teste com 90 pacientes hospitalizados na área de pediatria, sem exclusão de idade, com aquele que se alimentavam de forma enteral ou parietal, todos consumiam 6 refeições diárias, que estavam sendo submetidos a algum tipo de tratamento farmacológico.
Os medicamentos que tiveram maior incidência de interação com os nutrientes foram:
Antimicrobianos
- Ceftriaxona (antimicrobiano) – 41 possíveis interações
- Ampicilina (antimicrobiano) – 12 possíveis interações
Afetam negativamente a microbiota intestinal, diminuindo a absorção de vitaminas, o paciente deve ter uma dieta com pró-bióticos (lactobacilos vivos) e pré-bióticos (fibras).
Cloranfenicol - aumenta as necessidades orgânicas de ferro, ácido fólico, riboflavina e das vitaminas A, B6 e B12. De acordo com Gomez & Venturini, 2009, se tiver o uso deste medicamento prolongado, deverá ser feita a suplementação com essas vitaminas e mineral. Ceftriaxona – interage com laticínios e com o Ca 2+, quando são administrador por via oral, segundo: Gomez & Venturini, 2009 e Moura & Reyes, 2002
Corticóides
- Dexametasona (corticoide) – 10 possíveis interações
- Hidrocortisona (corticoide) – 8 possíveis interações
- Prednisona (corticoide) – 4 possíveis interações
Diminuem a absorção das vitaminas A, C, B6, ácido fólico, cálcio, potássio, fósforo e magnésio, bem como, aumentam a excreção renal de potássio, zinco, das vitaminas C, B6 e tiamina (Gomez & Venturini, 2009).
Antiulcerosos - 9 interações envolvendo os antiulcerosos
Ocorre associação com a vitamina B12, deve-se suplementar e/ou alimentar-se de alimentos ricos para não ter sintomas como: fadiga, anemia ou dormência das extremidades dos membros inferiores e superiores.
Anti-inflamatórios não-esteroidais - 2 possíveis interações com o Diclofenado, visando o lado positivo das interações.
Eles Inibem a produção de muco que protege a mucosa gástrica, aumentando o risco de lesões, dessa forma, devem ser administrados junto às refeições, ou logo após, mesmo que sua absorção seja reduzida ou retardada (Gomez & Venturini, 2009).
Óleo mineral - 1 interação envolvendo o óleo mineral
É um emoliente fecal. Solubiliza as vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), fazendo com que elas sejam eliminadas sem absorção, por conta do óleo não ser absorvido pelo organismo.
Existem interações fármaco-nutriente favoráveis, que podem auxiliar na melhora da biodisponibilidade e desfavoráveis, que podem causar toxicidade para o organismo ou ter sua ação inibida. Por isso a importância em ter uma conversa com o seu medico e/ou nutricionista. Em geral, os medicamentos que podem sofrer interações com alimentos/nutrientes devem ser administrados uma hora antes ou duas horas depois das refeições (Gomez & Venturini, 2009).

Referências
Bobroff LB, Lentz A, Turner RE. Food/drug and drug/ nutrient interactions: What You Should Know About Your Medications [Internet]. University of Florida IFAS extension. 2009 [citado 2012 abr 10]. Disponível em: http://edis.ifas.ufl.edu/pdffiles/HE/HE77600.pdf.
Boullata JI, Hudson LM. Drug-nutrient interactions: a broad view with implications for practice. J Acad Nutr Diet. 2012;12(4):506-17.
Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 196/96. Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos [Internet]. Brasília: Conselho Nacional de Saúde; 1996 [citado 2012 abr 10]. Disponível em: http://www.ufrgs.br/bioetica/res19696.htm.
Domingues CG, Paraná SP. Interações dos medicamentos com as refeições servidas na clínica de cirurgia urológica no Hospital de Clinicas UFPR. Rubis 2005;1(4):31-2.
Gomez R, Venturini CD. Interação entre alimentos e medicamentos. Porto Alegre: Letra e Vida; 2009. 168 p.
Heird WC. Necessidades Nutricionais. In: Behrman RE, Kliegman RM, Jeson HB. Nelson: Tratado de Pediatria. 17 ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2005. p. 167-71.
Huang SM, Lesko LJ. Drug-Drug, Drug–Dietary Supplement, and Drug–Citrus Fruit and Other Food Interactions: What Have We Learned? J Clin Pharmacol. 2004;44(6):559-69.
Ismail, MYM. Drug-food interactions and role of pharmacist. Asian J Pharm Clin Res. [Internet] 2009; [citado 2012 jan 11] 2(4): Disponível em: http://ajpcr.com/Vol2Issue4/226.pdf.
Lopes EM, Carvalho RBN, Freitas RM. Analysis of possible food/nutrient and drug interactions in hospitalized patients. Einstein. 2010;8(3):298-302.
Lopes, EM; Rodrigues, EA; et al. Interações fármaco-alimento/nutriente potenciais em pacientes pediátricos hospitalizados. Disponível em http://serv-bib.fcfar.unesp.br/seer/index.php/Cien_Farm/article/view/2367/1373
Luiz RR, Magnanini MMF. O tamanho da amostra em investigações epidemiológicas. In: Medronho A, Bloch KV, Luiz RR, Werneck GLL. Epidemiologia. 2 ed. São Paulo: Atheneu; 2006. p. 295-307.
Magedanz L, Jacoby T, Silva D, Santos L, Martinbiancho J, Zuckermann J. Implementação de um programa para evitar possíveis interações Fármaco-alimento em pacientes adultos internados em unidades clínicas e cirúrgicas de um hospital universitário. Rev HCPA. 2009;29(1):29-32.
Moura MRL, Reyes FGR. Interação fármaco-nutriente: uma revisão. Rev Nutr. 2002;15(2):223-38.
Salazar E, Pimentel E. Interacciones Entre Alimentos y Fármacos. Acta Odontol Venez [Internet]. 2002;40(3). Disponível em: http://www.actaodontologica.com/ediciones/2002/3/interacciones_alimentos_farmacos.asp.
Vaquero MP, Muniz FJS, Redondo SJ, Oliván PP, Higueras FJ, Bastida S. Major diet-drug interactions affecting the kinetic characteristics and hypolipidaemic properties of statins. Nutr Hosp. 2010;25(2):193-206.



Comentários
Postar um comentário