Vias de administração dos fármacos

Por Tatiane Alves


A via de administração dos fármacos afeta sua biodisponibilidade; porém, a escolha da via de administração também afeta o tempo de início da ação do fármaco. É fundamental na área médica o conhecimento das vantagens de desvantagens das vias de administração.

Via oral: administração por via oral é a mais utilizada na terapêutica; isso se da por ser uma via segura, confortável cômoda e econômica. Em contrapartida, a via oral possui algumas desvantagens, como a necessidade de cooperação do paciente, irritabilidade gástrica, inativação dos fármacos por enzimas digestivas e da flora intestinal, degradação do fármaco pelo suco gástrico, absorção irregular, baixa biodisponibilidade e ocorrência do metabolismo de primeira passagem. A absorção por essa via é feita principalmente no epitélio intestinal, pois é o órgão de maior superfície de contato do trato digestivo.

Sublingual: administração sublingual é utilizada para casos em que se espera uma resposta farmacológica rápida ou em que o fármaco em questão seja instável no pH gástrico e intestinal.

Retal: Fármacos administrados por essa via podem exercer ação local ou sistêmica, mas sua absorção é bastante irregular e sofrem o efeito do metabolismo de primeira passagem (cerca de 50% do fármaco). A utilização dessa via é aconselhável quando o paciente está inconsciente ou vomitando, e é muito utilizada em crianças portadoras do estado de mal epilético.

Intravenosa: é uma das vias mais rápidas em que o fármaco atinge o local de ação. Os fármacos administrados por essa via podem sofrer o metabolismo pulmonar, pois o fármaco é carreado para o coração direito, para os pulmões e posteriormente para a circulação sistêmica.
Vantagens: Obtenção de uma resposta farmacológica rápida
Desvantagens: Reações adversas exacerbadas, pois o fármaco atinge concentração alta no plasma em pouco tempo. Complicações para reverter um quadro de intoxicação, ou hipersensibilidade, pois não existe recuperação depois que o fármaco foi injetado.

Subcutânea: é uma via em que a absorção ocorre por difusão simples; é uma absorção lenta. É contraindicado o uso de fármacos irritantes por essa via, pois eles podem provocar irritação local seguida de necrose tecidual.

Intra-arterial: é a via em que o fármaco atinge mais rapidamente seu local de ação e a administração de fármacos é muito perigosa, sendo contraindicada para pessoas inexperientes no ramo. Ao fármacos são 100% biodisponíveis através dessa via, aumentando assim os seus possíveis efeitos adversos.


Tabela 2.1: Algumas informações sobre as principais vias de administração dos fármacos
VIAS
ABSORÇÃO
VANTAGEM
DESVANTAGEM
Oral
Mucosa Gastrintestinal
Maior comodidade, segurança e economia.
Náuseas, vômitos e diarréia pela irritação das mucosas. Variação do grau de absorção. Necessita da cooperação do paciente.
Sublingual
Mucosa oral
Absorção rápida de substâncias lipossolúveis. Não possui metabolismo de primeira passagem.
imprópria para fármacos irritantes ou com sabores desagradáveis.
Retal
Mucosa retal
administração em pacientes inconscientes.
absorção irregular e incompleta. Irritação da mucosa retal.
Intramuscular
Endotélio dos capilares vasculares e linfáticos.
Absorção rápida (dependendo da forma). Administração em pacientes inconscientes.
Dor, lesões musculares devido a substâncias irritantes ou substâncias de Ph distante da neutralidade. Processos inflamatórios pela injeção de substâncias irritantes ou mal absorvidas.
Intravenosa
Não há aborção
Obtenção rápida dos efeitos. Aplicação de substâncias irritantes diluídas.
Riscos de embolia, ação de pirogênio, infecções por bactérias e ações anafiláticas. Imprórpia para solventes olesos e substâncias insolúveis.
Subcutânea
Endotélio dos capilares vasculares e linfáticos.
Absorção boa e constate para soluções. Absorção lenta para suspensões e palets
Facilidade de sensibilização do paciente. Dor e necrose por substâncias irritantes.

Fonte: Proposta do autor




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