Principais causas de úlcera

Por Haydée Borges

Já vimos no post anterior a definição dos termos relacionados aos tipos de úlcera péptica. Neste post, falaremos de suas principais causas. São elas:

Helicobacter pylori (H. pylori)

A causa mais comum de gastrites e úlceras é a infecção por H. pylori, bactéria gram-negativa é pouco resistente ao meio ácido do estômago. A infecção induz à inflamação pelas respostas inata e imune sistêmica.

Cerca de 50% da população mundial está infectada por H. pylori, com maior prevalência em regiões mais pobres. No Brasil, a prevalência da infecção em adultos é estimada em 82%. Apesar de a bactéria causar inflamação crônica da mucosa gástrica em praticamente todos os infectados, a maioria não desenvolve úlcera péptica. Apenas de 1 a 10% das pessoas infectadas apresentam úlcera gástrica ou duodenal, de 0,1 a 3% desenvolvem carcinoma gástrico e menos de 0,01%, linfoma gástrico tipo MALT (mucosa-associated lymphoid tissue lymphoma).

Os motivos de apenas esse baixo percentual de infectados desenvolverem doença clinicamente evidente podem estar relacionadas à combinação dos seguintes fatores: diferentes cepas da bactéria,
suscetibilidade do hospedeiro à doença e fatores ambientais.

A prevalência de H. pylori em pacientes com úlceras gastroduodenais é de 36 a 73%, variando com situação geográfica, etnia e fatores socioeconômicos.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINE) e Ácido acetilsalicílico (AAS)

Cerca de 4 a 5% dos pacientes desenvolvem UP sintomática em aproximadamente 1 ano de uso de AINE. A maioria que se apresenta com complicações sérias não refere sintomas dispépticos precedentes.

Fatores que aumentam o risco de morbimortalidade associada ao uso de AINE:




Além disso, algumas associações de fatores são consideradas perigosas, conforme imagem abaixo:


O papel dos AINE na doença ulcerosa péptica pode ser:

Ação sistêmica - supressão da síntese de prostaglandinas, elementos-chave na proteção da mucosa gastrointestinal. A síntese de prostaglandinas ocorre via expressão da COX-1, que, quando inibida seletivamente pelas AINES, determinariam menor agressão gastrointestinal. Porém, a ampla utilização deste tipo de AINES seletivos estão relacionados eventos adversos cardiovasculares graves, incluindo infarto do miocárdio. Assim, a eventual vantagem não compensa o risco demonstrado e alguns desses fármacos foram retirados do mercado.



Efeitos tópicos - os AINES induzem lesão local por meio da retenção de íons. A partir do lúmen do estômago, o fármaco penetra nas células epiteliais gástricas em sua forma não carregada. No ambiente neutro do citoplasma, o AINE é ionizado e retido no interior da célula, provocando lesão celular.




ÚLCERAS DE ESTRESSE 

As úlceras de estresse podem ocorrer devido a uma complicação de queimaduras graves, trauma, cirurgia, choque, insuficiência renal ou radioterapia e apresentam grande potencial de hemorragia. Também têm sido implicados a isquemia gástrica com hipoperfusão GI, a lesão oxidativa, o refluxo de sais biliares e enzimas pancreáticas, a colonização microbiana e as alterações na barreira mucosa.
O sangramento de úlceras de estresse em pacientes criticamente enfermos representam importante cauda de morbidade, porém ainda não são completamente conhecidos fatores de prevenção e tratamentos eficazes.

INFLUÊNCIAS DA DIETA

O tratamento dietético deve envolver recomendações no sentido de evitar consumo de produtos com cafeína, por causa de sua capacidade de aumentar a secreção ácida. Aconselha-se, também, a evitar consumo de álcool e cigarros. A ingestão excessiva de álcool é diretamente tóxica para a mucosa e está associada a gastrite erosiva e incidência aumentada de úlceras pépticas. Acredita-se que o tabagismo diminui a produção de bicarbonato duodenal e reduz o fluxo sanguíneo da mucosa, levando a demora na cicatrização das úlceras.
Referências:


Fuchs, Flávio; Lenita Wannmacher. Farmacologia clínica e terapêutica. 5. ed.- [Reimpr.] - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2017. ISBN: 978-85-277-3131-7

Golan, David E. (Editor). Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da farmacoterapia. [3. ed.] – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. Tradução de: Principles of pharmacology: the pathophysiologic basis of drug therapy,ISBN 978-85-277-2599-6

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